As 20 capas de discos que marcaram época

As capas de discos mais criativas e bonitas de todos os tempos

No tempo dos discos de vinil, a composição gráfica das capas atuava como um complemento ao conceito musical do álbum e a indústria fonográfica dependia muito da empatia do público com essas capas para impulsionar as vendas em um processo parecido com o que ocorre com os livros no mercado editorial de hoje. A preocupação com o acabamento e a originalidade das capas era tão grande que muitas delas acabaram ficando identificadas como símbolos dos movimentos musicais e culturais de cada época. Uma lista assim é obviamente muito subjetiva e, normalmente, guarda uma relação afetiva com a lembrança que associamos a períodos da nossa vida.

Os antigos discos de vinil sucumbiram à tecnologia do CD e hoje nem mesmo existe a ideia de um álbum completo com determinado conceito artístico. No entanto, assim como os bibliófilos resistem aos livros digitais, preferindo ainda o tradicional livro impresso, também existe um apelo de mercado pelo retorno da antiga tecnologia. A Sony, por exemplo, já anunciou que voltará a fabricar discos de vinil, devido ao aumento da demanda global pela música analógica. A mudança ocorre quase 30 anos depois da empresa decidir cancelar sua produção do formato em 1989. Quem diria, o meu filho já adolescente, depois de tanto tempo, irá finalmente compreender o significado de lado A e lado B. Agora só vai ficar faltando ele entender o que é uma vitrola!

As 20 capas de discos que marcaram época
(01) The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico (1967)

O álbum, gravado em apenas uma semana, marcou a estreia da banda de Lou Reed, The Velvet Underground, com letras pesadas para a época, falando sobre sexo, drogas e rock, não necessariamente nesta ordem, ficou conhecido como o disco da banana. O desenho foi feito por Andy Warhol e as tiragens iniciais convidavam a "descascar lentamente e ver" (no inglês, "peel slowly and see", que viria a ser o nome de uma das coletâneas da banda). Retirando o adesivo, na capa original, uma banana de cor de carne!

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(02) Jimi Hendrix - Are You Experienced (1967)

Outra estreia arrasadora que marcou a música para sempre, Jimi Hendrix foi um músico genial e autodidata que, embalado pela psicodelia libertária dos anos sessenta — evidenciada nas cores e roupas desta capa —, marcou o cenário pop e rock a partir do blues eletrificado, tendo influenciado os principais artistas ingleses da época, incluindo Beatles e Rolling Stones. O lançamento em 1967, no mercado londrino, do single "Hey Joe" foi a chave para o sucesso, precedendo o lançamento deste álbum antológico, que incluiu os clássicos "Purple Haze" e "Fire".

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(03) The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)

Talvez o trabalho mais revolucionário dos Beatles em toda a sua discografia, refletindo a sua maturidade musical. Limitando o texto à arte da capa por falta de espaço, podemos resumir que se trata de um grupo de recortes de papelão de pessoas famosas em tamanho real. Recomendo muito que visitem o site Sgt Pepper Photos para uma explicação detalhada sobre cada elemento da capa. Algumas personalidades são facilmente identificáveis, mas outras passei toda a minha vida sem saber, até visitar esta página!

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(04) Janis Joplin - Cheap Thrills (1968)

Alguma coisa saiu errada com o destino de Janis Lyn Joplin, nascida na reacionária e racista cidade americana de Port Arthus no Texas, pois ela acabou se transformando em Janis Joplin, uma das maiores cantoras "negras" da história do blues. Ela ficou conhecida por sua interpretação de "Ball and Chain", acompanhada da fraquíssima banda "Big Brother and the Holding Company", durante o Festival de Monterey, no verão de 1967. O grupo lançou em 1968 este clássico álbum com os sucessos "Piece of My Heart" e outro standard do blues "Summertime".

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(05) King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)

Pouca gente já ouviu este disco, considerado como um dos fundadores do rock progressivo, mas certamente a maioria deve lembrar de já ter visto a imagem de cores fortes da capa em algum lugar. O desenho, uma perfeita representação da esquizofrenia, foi uma criação do artista e programador de computador Barry Godber à pedido do guitarrista da banda, Robert Fripp. O artista não deixou outros trabalhos porque faleceu muito novo no ano seguinte, aos 24 anos, de ataque cardíaco.

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(06) The Rolling Stones - Sticky Fingers (1971)

Outro curioso projeto gráfico interativo, se podemos chamar assim. A capa original possui um zíper que se abre para revelar um homem em cuecas de algodão, concebida por ninguém menos que Andy Warhol. Uma calça jeans apertada, escondendo um pênis supostamente ereto, foi assumida por muitos fãs como sendo uma foto de Mick Jagger, porém as pessoas envolvidas na produção da sessão revelaram que vários homens diferentes foram fotografados (Jagger não estava entre eles) e nunca revelaram o verdadeiro modelo.

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(07) Bob Dylan - Greatest Hits, Vol. 2 (1971)

Esta lista não estaria completa sem um disco de Bob Dylan. A tonalidade azul da foto é uma lembrança constante da minha adolescência. Sou uma pessoa absolutamente suspeita para comentar sobre Dylan, cuja importância, na minha opinião, transcende em muito o cenário da música folk, pop e rock. Apesar da voz sofrível de Dylan, de sua personalidade estranha, de estar sempre tentando "desconstruir" suas músicas nos shows com releituras incompreensíveis, apesar de tudo isto, seu legado poético continua influenciando gerações inteiras em vários países. 

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(08) Emerson Lake and Palmer - Trilogy (1972)

Uma banda que ficou conhecida pelo virtuosismo de seus músicos, unindo as influências do jazz e da música clássica ao rock progressivo o trio apontou novos caminhos para o futuro com a utilização de sintetizadores em suas gravações e apresentações. Todas as capas de seus discos são exemplos de criatividade, mas esta em particular eternizou a juventude de seus integrantes, Keith Emerson (teclado), Greg Lake (guitarra, baixo e vocais) e Carl Palmer (bateria) em uma bela composição.

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(09) Tangerine Dream - Zeit (1972)

Falando em rock progressivo, não há como não lembrar de Tangerine Dream, uma banda alemã, formada em 1967 por Edgar Froese (tecladista, falecido em 2015), considerada como um grande expoente do movimento, juntamente com o Kraftwerk. O álbum duplo Zeit é uma tentativa de criação de uma "sinfonia eletrônica espacial". Uma banda para iniciados no movimento progressivo porque suas composições, principalmente da fase inicial, não tem o mesmo apelo melódico de outros grupos como o Pink Floyd.

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(10) Yes - Close to the Edge (1972)

O Yes se tornou uma das bandas progressivas mais populares e de carreira mais longa, passando por várias formações de seus integrantes (inclusive com Rick Wakeman no teclado). As ilustrações das capas, criadas pelo artista plástico Roger Dean, sem dúvida ajudaram muito a divulgar o trabalho do grupo britânico. Para conhecer mais sobre as suas composições visite o site dele aqui. Acabei escolhendo um exemplo tímido do disco "Close to the Edge", mas que realça o logotipo da banda, um exemplo claro da estratégia de que menos, muitas vezes, pode ser mais.

As 20 capas de discos que marcaram época(11) Led Zeppelin - Houses of the Holy (1973)

O Led Zeppelin foi muito influente para a maioria dos músicos de Hard Rock do final dos anos sessenta e início dos setenta como Deep Purple e Black Sabbath, originando um movimento que viria a se transformar no Heavy Metal de hoje. Quando "Houses of the Holy" foi lançado, acredite se quiser, a capa foi proibida na Espanha e em alguns pontos dos Estados Unidos devido à nudez das crianças. A ideia foi inspirada no livro de ficção científica "Childhood’s End", de Arthur Clarke que narra a invasão da terra por alienígenas e crianças da terra sendo levadas para o espaço.

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(12) Tom Zé - Todos os Olhos (1973)

Falando em censura, é difícil acreditar que esta imagem tenha escapado da perseguição do regime militar que vigorava no Brasil em 1973, a única explicação é que ninguém tenha percebido a intenção dos autores que era fotografar um ânus feminino com uma bola de gude no centro, como uma afronta à repressão do sistema político da época. Até hoje se discute a autenticidade do ânus ou se a foto é, na verdade, de uma boca. De qualquer forma o álbum foi lançado e entrou para a história como uma das capas mais polêmicas de todos os tempos.

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(13) Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)

Praticamente todas as capas do Pink Floyd são inesquecíveis e foi mesmo difícil escolher apenas uma. Procurei resistir à tentação da obviedade de postar o clássico prisma de "Dark Side of the Moon", mas preferi ficar com "Wish You Were Here" como homenagem ao raro conceito musical que foi obtido neste disco, uma obra que tem como inspiração o processo de deterioração mental do guitarrista Syd Barrett, um dos fundadores da banda, substituído por David Gilmour.
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(14) The Clash - London Calling (1979)

A foto desta capa não tem um acabamento técnico refinado, mas conseguiu capturar a energia de um show da banda no Palladium, em Nova York em 21 de setembro de 1979, durante a turnê americana "Clash Take The Fifth".  Em 2002, a fotografia de Pennie Smith foi escolhida como a melhor imagem do rock and roll de todos os tempos pela revista Q porque "captura o último momento do rock, a perda total de controle". Como os pobres instrumentos sofrem nesses momentos, não é mesmo?

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(15) U2 - War (1983)

Outra imagem de rara beleza para um disco que lançou "Sunday Bloody Sunday", uma das maiores canções de protesto político de todos os tempos. A inspiração veio dos conflitos na Irlanda do Norte, quando manifestantes foram mortos por tropas britânicas. Uma canção de cunho pacifista, mas que tem uma batida de marcha militar no seu ritmo, uma grande ideia dos garotos do U2 que sabiam tudo de marketing nos saudosos anos oitenta do século passado.

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(16) New Order ‎- Power Corruption and Lies (1983)

Interessante como o forte título deste álbum tem tudo em comum com o nosso momento político atual, mas a suave imagem da capa é conflitante com o conceito, uma ideia genial. Em 2010, A imagem de capa de "Power, Corruption and Lies" foi transformada em selo pelo correio britânico, Royal Mail, fazendo parte de uma série de 10 selos em homenagem a "10 álbuns clássicos do Rock britânico". Nada mal como homenagem para capas de discos, não é mesmo? Ver aqui a matéria do jornal Guardian sobre esta seleção filatélica de capas.

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(17) The Smiths - Meat Is Murder (1985)

Outra ex-banda britânica que sabe tudo sobre capas. Nesta aqui, a imagem passa uma mensagem contra a violência animal, uma foto de um soldado norte-americano na guerra do Vietnã, retirada do documentário "In the Year of the Pig" (1968), de Emile Antonio. A foto foi reproduzida quatro vezes e, no capacete do soldado, a frase original "Make War Not Love" foi editada para "Meat is Murder".  Uma frase forte que demonstra o engajamento de Morrisey à favor da causa vegetariana: "carne é assassinato".

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(18) Miles Davis - Tutu (1986)

Para não ficarmos apenas no universo do rock, este é um belíssimo exemplo do talentoso Miles Davis que, por falta de definição melhor, podemos definir como um músico de Jazz. Este disco é do final de sua carreira e não agradou muito aos puristas porque utilizou tecnologias modernas de estúdio — sintetizadores programados, samples e loops de baterias. A linda imagem é do fotógrafo Irving Penn, um retratista de outras personalidades famosas, em preto e branco, como Pablo Picasso e Truman Capote.

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(19) Radiohead - Hail to the Thief (2003)

A imagem reproduz um mapa rodoviário e traz nomes alternativos para cada uma das faixas do disco. Thom Yorke explicou ao semanário britânico NME que a criação foi inspirada nas transmissões de notícias que ele ouviu pelo rádio depois dos ataques terroristas de 11 de setembro. Segundo o vocalista da banda, certas frases marcantes acabaram gravadas em sua mente e ele anotou-as para a capa do álbum. Não é o melhor trabalho do Radiohead, mas a capa é emblemática da nossa época.

(20) David Bowie - Blackstar (2016)

Um raríssimo exemplo na atualidade de um álbum conceitual (talvez o último), foi lançado apenas dois dias antes da morte do multitalentoso David Bowie, sua doença não havia sido revelada ao público até então. O disco de teor experimental ainda não foi totalmente digerido pela crítica e grande público sob o efeito da perda do camaleão do rock, como Bowie era conhecido. A morte é sem dúvida a grande inspiração deste último trabalho do artista, um presente de despedida para os fãs e uma linda capa para representar isso tudo.
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